Claudio Lins

Entrevista! Claudio Lins fala sobre mercado musical, quarentena, e muito mais

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Em época de quarentena, Claudio Lins está aprendendo a se reinventar. O multifacetado artista, que cresceu no meio artístico, inovou-se por meio das redes sociais e criou ao lado do jornalista Beto Feitosa o Festival Ziriguidum em Casa, onde cada um dos artistas se apresentam em suas próprias plataformas de redes sociais. 

O ator conversou com o Opinião Cult em uma live superdivertida, quarentena, mercado musical e muito mais. Confira:

Como surgiu o Festival Ziriguidum?

A gente percebe que é juntar uma quantidade de bons novos artistas produzindo e investindo em boa música brasileira, e sentimos que esse é o perfil. Outra coisa que nos deixa feliz, é por ser artistas que não conhecíamos e nem o grande público. O meu pai, Ivan Lins, nunca fez um show live, e vários outros artistas também tiveram a oportunidade de fazê-los aparecer na mídia. A live já existia, agora a gente que está vendo a melhor forma de se comunicar. Está na hora dos artistas entenderem a possibilidade que a linguagem tem a dizer. 

Este projeto conta com o processo de doações. O público está doando?

O nosso sentimento do Ziriguidum sempre será de solidariedade. No primeiro momento, o objetivo é ficar em casa dentro do possível, pois é notamos que é preciso tocar a vida. A gente está descobrindo em como fazer isso ser rentável. 

A gente começou a fazer essa possibilidade de pagar, como se fosse assistir a uma peça de teatro, de cinema, inclusive o streaming você paga uma mensalidade, então tudo é pago. Mas o nosso objetivo principal é minimizar os efeitos do confinamento, e fazer as pessoas entenderem que isso é um modo de vida, e que a cultura tem um valor, a gente vive em um país que a cultura é pouco valorizada, e que isso é pouco significativo. Então a gente começa com 5 reais.

Como vocês chegaram aos artistas do Ziriguidum?

Nós usamos nossa rede de conhecimento, depois trouxemos a Maria Braga (produtora). Trazer sua rede de conhecimento quando a gente começou a mostrar nosso trabalho constante, também recebemos pedidos de artistas. A gente chama pessoas, mas recebemos muito material.

O trabalho intitulado Sensorial para o Youtube, no qual os elementos sonoros são instrumentos caseiros é um diferencial. Como você criou esse projeto?

Eu tô querendo entender o que é isso, e este é o novo momento de comunicação. Fico curioso de explorar as possibilidades, e o Sensorial foi a primeira experiência minha, mas que dentro das minhas possibilidades caseiras eu poderia fazer algo que fosse diferente. 

Claudio Lins
Claudio Lins

Como está sendo a quarentena?

Eu tenho dificuldade de fazer exercícios outdoor, mas hoje não dá pra andar de bicicleta porque não é o indicado, e eu gosto de ter um professor, eu não sou autodidata. Os projetos todos adiados, a falta de perspectiva é ruim, e imagina que o meu trabalho pressupõe aglomeração, então diminuiu minhas perspectivas de trabalho. Se tem uma coisa que me pareceu é que a gente tem de combater a desigualdade social, que é muito ferrenha, e se nutrir da ciência e das grandes cabeças do país, pois elas não estão sendo ouvidas, estão sendo sufocadas, precisamos das pessoas mais competentes. 

Como você imagina que vai se encaminhar as apresentações pós-quarentena?

É uma previsão difícil de fazer, qualquer que eu fazer pode mudar amanhã, mas me parece que a gente já estava em um processo de buscar menores produções e coisas que dependessem menos do dinheiro público. O lado bom disso é que exercemos a criatividade, mas o mercado de musicais já estava sofrendo com este governo, e provavelmente, vai cair em um período de decadência, que atrai muito público. Agora o musical é algo difícil e fazer, se não tiver um poder mínimo, vai ser um período muito difícil, principalmente performática. Eu só consigo pensar na internet. 

Você já se adaptou a internet e as redes sociais?

Eu sou do século passado, e se você imaginar que eu cresci num mundo de notoriedade, aprendendo a proteger a minha vida pessoal e a projetar o meu trabalho. Quando surgiram as redes sociais eu tive dificuldade, eu vivo muito o aqui e agora. É estranho eu estar ligado em coisas distantes de mim e não o que está ao meu redor, mas a gente está descobrindo nova maneira de comunicação. O que me interessa não é buscar a comunicação do público, o que me interessa é a produção artística, e isso está me dando muita tesão. 

Você é sócio do Galeria Café, casa noturna LGBT na zona sul do Rio de Janeiro. Trabalhando com esse nicho, mudou sua percepção em relação à sociedade?

Eu já frequentava o Galeria Café, o que eu penso é o que não tem o que pensar. Quando eu fiz uma participação na novela Babilônia, meu personagem era um homossexual que vivia dentro do armário, um homem mais velho, e numa entrevista me perguntou se eu tinha feito alguma pesquisa, e eu disse que não. Acho que houve grandes vitórias humanistas sobre essa questão e achoque a gente vive um momento de establishment (estabelecimento), uma ideologia que vai contra os direitos já conquistados ou direitos a conquistar. Eu vejo como muitos segmentos de gênero  ainda são ignorantes, vendeu-se um peixe muito fake news

Qual seu papel mais marcante na TV?

O Bruno de História de Amor foi marcante, e foi uma novela que fez muto sucesso. Em Esmeralda também foi importante, mas eu tive dificuldade com o personagem,  tocou muita gente, eu também tenho dificuldade de fazer comédia e tive oportunidade de fazer Uma rosa com amor, com Carla Marins, então foi muito divertido de fazer, o meu público adorou e foi no início das redes sociais. Destaco também o Sérgio, de Babilônia porque tinha esse lado de bandeira. As maiores lembranças dos trabalho são os convívios com as pessoas. 

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