Regina Casé, sobre sotaque em ‘Amor de Mãe’: “preconceito para a gente lutar contra”

Ela fala sobre trabalhos e família.

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Amor de Mãe ainda estava longe de começar, mas algumas expectativas já giravam em torno da trama. A principal delas, o retorno de Regina Casé às novelas, ausente do formato desde As Filhas da Mãe, escrita por Silvio de Abreu, de 2001. Apesar de estrear nos palcos como atriz, o que a lançou ao cinema e à televisão, os projetos de Regina como apresentadora nas últimas décadas foram tão marcantes que a atuação ficou um tanto adormecida, resumindo-se a participações e a alguns filmes. Apesar de afastada, as poucas aparições na dramaturgia sempre renderam a certeza de que a atriz se mantinha viva, pulsante, o que poderá ser visto, dezoito anos depois, na nova trama das nove.

E o retorno é triunfal, pois Regina Casé está sendo elogiada pela imprensa como a protagonista Lurdes, uma mulher simples do interior do Rio Grande do Norte, extremamente dedicada aos filhos. As cenas mais recentes, principalmente as em busca do filho desaparecido, o Domênico, têm emocionado o público. Veja o nosso papo com a atriz:

Por que Amor de Mãe tem tudo para fazer sucesso?

— Eu acho que as duas coisas que pegam mais a gente, qualquer ser humano, em qualquer língua, é a pessoa rir e chorar. Se você consegue, mesmo que em outra língua, com teu corpo, com tua expressão, com teu sentimento, fazer o cara rir e chorar, puxar a emoção dele, ele fez junto com você. E dessa novela eu não preciso dizer nada, vocês viram esse clipe. Isso pega a gente: a emoção.

Como é ser protagonista de uma novela escrita por uma mulher?

— É maravilhoso! É uma mulher e uma mãe, escrevendo para outra mulher e outra mãe. E uma mulher apaixonada pelo Brasil, apaixonada por essas mulheres do povo que fazem um milagre por dia pelos seus filhos, para conseguir dar de comer, conseguir proteger eles da violência. Ela faz isso de uma maneira linda.

Recentemente, você recebeu o prêmio de Melhor Atriz pelo filme Três Verões, da diretora Sandra Kogut, em um festival de cinema na Turquia. Qual a sensação de conquistar essa premiação?

— É muito legal! Esse filme vai sair meio junto com a novela. Eu faço também uma mulher do povo e isso me orgulha muito. Eu acho que não é à toa que me escolhem sempre para esses papéis. O filme é muito bonito. Primeiro festival que a gente entrou já ganhou um prêmio de melhor atriz. Fiquei muito feliz!

Como você faz um balanço da sua carreira até agora?

— Eu sempre escolhi as pessoas com quem eu trabalho, para que eu tivesse total confiança nelas. Porque para você se jogar e trabalhar sem um pingo de maquiagem, sem pentear o cabelo, você tem que ter uma confiança em quem te cerca. E também para você botar todas as emoções que estão guardadas no seu lugar mais fundo pra fora, aquilo aparecer na tua cara, no teu corpo. Você tem que ter muita confiança em quem está junto. E a minha carreira foi sempre assim, seja no teatro, no cinema e na televisão.

Você falou em se despir das vaidades, este é mais um ponto que te aproxima da Val, do filme Que Horas Ela Volta, que teve um ótimo retorno do público e da crítica. Como você faz para diferenciar as personagens?

— Eu não tento fugir da Val. Todo mundo fala que por ter um sotaque vai ficar igualzinho. Isso é mais um preconceito que eu descobri para a gente lutar contra: por que todo rico é diferente e todo pobre é igual? Por que todo mundo do sul é diferente e todo nordestino é igual? Vamos pensar um pouco sobre isso?!

Uma novela que tem a maternidade como tema esbarra nesse momento da sua vida, por conta do Roque. Como você vai administrar seu tempo com filho pequeno em casa?

— Esse lado vai ser brabo. Já está sendo. Mas eu também me programei muito, foi uma escolha muito pensada. Eu estava com um programa quase pronto, engatilhado para entrar no ar quando me chamaram, em outubro do ano passado. Eu fiz essa escolha: vou me dedicar este ano a isso. Então eu conversei com todo mundo lá em casa. Eu falei: oh, vou sumir. Mas vai ser muito legal.

Regina Casé (foto: Antônio Pinheiro)
Regina Casé (foto: Antônio Pinheiro)

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E como é ser mãe de um filho pequeno em 2019? Tem muita diferença da sua primeira filha?

— Tem aspectos muito diferentes. Eu fico apavorada quando eu penso no que vai ser o mundo pro Roque que tem seis anos. Se tiver ainda um planeta para ele viver. Ao mesmo tempo, todo mundo diz que a natureza é sábia, mas eu acho que no início ela é meio burra, porque eu acho que eu sou uma mãe muito melhor para ele sendo mais velha do que eu fui para a Benedita, que eu tinha muito mais medos e inseguranças. Ficava apavorada. Eu acho que nisso a natureza é meio burra: ser mãe mais velha é muito legal.

E o amor de avó?

— Ah, vovó… Nem queira saber o que é ser avó. É uma loucura. Você fica apaixonada pelo neto, mas você fica apaixonada também pela sua filha. Ver a sua filha virar mãe é uma maravilha.

Foto de capa: João Cotta/ TV Globo

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