Murilo Benício fala sobre filho em novela: “Ele já estava e eu nem sabia”

O ator fala sobre o relacionamento com o filho

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Apesar de afastado das novelas desde 2014 quando viveu Jonas Marra em Geração Brasil, Murilo Benício parece não ter saído do ar. Em 2019 fez-se presente na telinha com a minissérie Se eu Fechar os Olhos Agora e em uma dobradinha de sucesso no Vale a Pena Ver de Novo: o Léo, de Por Amor, e o Tufão, de Avenida Brasil, personagem icônico da carreira do ator.

Após cinco anos atuando em séries e filmes, onde, inclusive, aventurou-se na direção de dois longas-metragens, Murilo está de volta às novelas. Em ‘Amor de Mãe‘, o ator é Raul, um empresário importante, casado com Lídia (Malu Galli) e pai de Vinícius, que será interpretado por, pasmém, Antônio Benício, filho mais velho do ator com Alessandra Negrini.

Em uma conversa com o Opinião Cult sobre o novo trabalho na TV, Murilo Benício contou as características do seu personagem, além de falar sobre o período sem atuar em novelas e sobre dividir os holofotes com o filho, que faz sua estreia na televisão.

Quem é o Raul?

— O Raul é um empresário super bem-sucedido, que neste momento está repensando a própria vida e as decisões que tomou. Ele está em um momento de viver diferente. Tem muito dinheiro, é muito poderoso, mas agora está em busca da simplicidade. Isso envolve até a vida pessoal: ele é casado com a Lídia, personagem da Malu Galli, mas está vendo que não é feliz. Ele encontra a personagem da Nanda (Costa) e eles se envolvem… Até aí que eu posso contar.

Além de se envolver com a Érica (Nanda Costa), o Raul também tem um caso com a Estela, interpretada pela Letícia Lima, uma atriz conhecida por personagens ligadas ao humor. Vai ter um viés cômico nessa relação?

— Rapaz, parece que é cômico, mas eu não sei. É claro que vai ter alguma coisa cômica envolvida porque por mais desesperada que seja a situação, às vezes é engraçado. E a Letícia também é uma atriz engraçada, a gente já fez umas cenas engraçadas. Mas eu acho que toma um lado mais profundo do ser humano, não fica só no superficial da graça. Nós já fizemos algumas coisas e acho que ela está indo por um outro caminho, que eu acho muito interessante para ela, que só fez humor até hoje.

Geralmente nas produções da Manuela Dias não existem a figura do vilão clássico. Você acha que o público pode estranhar essa ausência em uma novela das nove?

— Eu acho que o público está muito moderno, muito mais à frente do que a gente imagina. A gente que tem que se modernizar para acompanhar o público. Eu acho, por exemplo, que essa história de núcleo de humor tem que acabar. Já tinha que ter acabado. Não tem nessa novela, como não tem o vilão, porque a gente gira em torno de muitas coisas. Todo mundo é um pouco de tudo: a gente não é bom a vida inteira; não só ri a vida inteira. Eu acho que é essa a proposta. Não é que não exista vilão: às vezes é a vida, às vezes é uma situação, às vezes é uma pessoa. Como é na nossa vida. Então eu acho que é uma forma de se atualizar com o público.

Você vai contracenar diretamente com o seu filho, Antonio Benício, que também será seu filho na ficção. Existe expectativa sua como pai de vê-lo na novela?

— Eu fiquei com muita expectativa quando soube, até porque foi uma surpresa pra mim. Eu falei pro Zé (José Luiz Villamarim): ‘Zé, você chamou o Antônio sem me falar, sem nem avisar! Ele já estava na novela e eu nem sabia’. Mas o Antônio é um cara sério. É formado, já tinha feito uma série, que o Zé tinha visto. Eu vejo que é um cara que está vindo com estrutura, ele não pousou aqui à toa. Ele levou muito tempo para admitir que era isso o que ele queria. Eu tenho total certeza que é muito autêntica a vontade dele de ser ator. Até pela falta de ajuda que a gente deu.

Você teve alguma preocupação quando ele decidiu ser ator?

— Ele é meu filho e filho da Alessandra, em uma profissão que não necessariamente há uma garantia de sucesso, uma garantia de dinheiro. A maioria, inclusive, está numa outra situação completamente diferente. Eu pelo menos fiquei com muito medo que alguma coisa o embalasse a achar que era o natural dele. Por isso que a gente sempre o deixou sozinho inventando o próprio destino, a história dele.

A única coisa que eu dou de conselho para os meus filhos é: tenta fazer o que você ama, porque você vai acordar segunda-feira feliz. Não vai ter aquele negócio de ‘graças a Deus hoje é sexta-feira’. É bom você acordar segunda-feira sabendo que você vai produzir, se você for abençoado no que você gosta.

Vocês estudam juntos? Acha que ele vai te pedir ajuda?

— Ele ainda não começou a gravar, acho que vai começar daqui a um mês. Mas acho que a gente vai estudar junto, sim. (…) Ajuda ou conselho eu não sei se ele vai pedir. A última coisa que ele fez em São Paulo no teatro, não deixou eu ver. Eu respeito: não fui.

Você está há um tempo afastado das novelas fazendo apenas séries. Como foi esse período e essa decisão de se envolver apenas nesse tipo de obra?

— Eu não sei se foi natural, se foi planejado. Foi acontecendo. Novela é uma coisa que toma muito o nosso tempo, muito mais do que série. Então eu tive a oportunidade de dirigir. Eu dirigi dois filmes. Foi um tempo abençoado ficar um pouco fora de novela. Deu até vontade de fazer de novo. É uma coisa que dá tanto trabalho que você fica com medo de entrar em uma, porque é um ano que você não tem vida. Agora eu estou mais fresco para começar uma novela.

Murilo Benício (foto: Estevam Avellar)
Raul (Murilo Benício)

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Vivendo essa outra fase, podendo transitar por projetos paralelos como a direção, o que foi primordial para aceitar o convite para Amor de Mãe?

— Eu já queria fazer novela de novo. Eu acho que novela é uma coisa importante para a Rede Globo, então acho que os atores não podem se distanciar tanto dela. E eu acho que a Rede Globo precisa, principalmente, dos bons atores, porque é o nosso carro-chefe ainda. Apesar de tudo o que está acontecendo, do mundo estar mudando, das séries estarem atacando, a gente ainda tem esse carro-chefe e a gente deve fazer o melhor desse produto com as melhores pessoas possíveis.

O Vale a Pena Ver de Novo voltou a exibir Avenida Brasil com uma considerável audiência. Você já sente nas ruas a repercussão com a reprise da novela?

— Eu nunca deixei de ser o Tufão. E eu já fiz vários personagens que fizeram sucesso, que as pessoas imitavam nas ruas. Mas não tem jeito! Quando eu chego… Oh, o Tufão aí!

“Voltou a novela e não mudou nada pra mim: eu não sei se eles estão falando de antes ou de agora.”

Foto de capa: Antônio Pinheiro

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