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Aramà: álbum da cantora italiana tem mistura rica de sons

Entenda o conceito da cantora italiana neste ótimo papo.

Uma italiana que usa o seu conhecimento pelo mundo para criar conceitos na música é como podemos definir a cantora Aramà. Em seu novo trabalho intitulado de ‘As Luas de Wesak’, a cantora explora diversos ritmos, passando pelo hip hop, o jazz, a bateria, o piano, o reggaeton, e por aí vai. 

A mescla de sons como pano de fundo ajuda a sintetizar as mensagens que deseja explorar no produto cultural, como a diversidade, o machismo, a autoestima, entre muitas outras.

Em um papo descontraído por telefone com a cantora, o Opinião Cult conversou sobre o conceito musical, a inspiração brasileira, entre outras coisas. Veja a nossa entrevista e entenda o conceito da artista:

O que inspirou você a criar este trabalho?

Fui dançarina e comecei a rodar a Europa toda, assim eu ganhava audição. Na França e na Alemanha, desde pequena, eu abri minha cabeça, pois eu ouvia muita música. Eu também procurava muita coisa na internet, o que fazia eu explorar vários sons. Agora minha inspiração foi a Madonna. A primeira vez que ouvi ‘Frozen’ pensei que um dia iria fazer um mix assim. 

E como foi esse contato com o Brasil?

Eu viajo muito, não consegui ir para a Ásia, que é minha próxima vontade. Na Itália só existe igreja. Quando fui para o Brasil tive contato com a religião afro-brasileira, com a natureza, com o universo e a energia, tornaram-se inspirações maravilhosas.  

Chorei a primeira vez quando ouvi o carimbó, eu adoro essa mistura de sons. Acho que a música é universal, e não tem nada a ver com apropriação cultural, e precisamos quebrar os preconceitos de racismo e de gênero. Acho que misturar mais é a nova tendência. Na Europa isso começou com Major Lazer (grupo de música eletrônica). Por exemplo, Ganesha (música produzida em 2018 com o cantor Correria) eu escrevi em 10 minutos, e significa seguir o caminho de bem.

‘Ibeji’ é uma canção que retrata um encontro mágico com a avó. No caso, em seu sonho você viu dois gêmeos, os quais ela diziam ser seus protetores. Me explica melhor…

Ibeji é o Cosme e Damião. Eu estava no hotel com meu ex-namorado e contei todo o sonho para ele. No sonho, vi dois gêmeos, um de rosa e um de azul, e não tinha entendido com a tradução afro-brasileira, acho que era para afastar o mal. Essa música eu fiz com o Eduardo Brechó (cantor e compositor). É um pop com mistura dos anos 80, uma faixa que fala sobre as mulheres e a busca de espantar o mal. 

Na canção ‘Rainha’ você incluiu o refrão “Eu sou a Rainha e você não sabe lidar”. Isso mostra sua determinação em mostrar o poder da mulher, não é?

A sociedade está em evolução e precisa de homens mais fortes para lidar com as mulheres. Eu vejo as minhas amigas que têm filhos, que trabalham e buscam harmonização total. O homem precisa entender que a sociedade mudou. Eu não sou feminista 100 por cento, o que eu não gosto do feminismo é a pressão do homem. É um processo lento, mas é preciso abrir as fronteiras. No meio musical acham que por sermos mulheres não entendemos de música, falam que estamos erradas.

Você já passou muito por isso?

Sim. Ainda bem que os produtores com quem eu trabalho hoje têm uma mente abertíssima, pois é difícil o processo. Colocar um vestido na música é complicado, porque tem produtores que não querem mudar, não querem tentar entender a sua essência, mas posso agradecer aos produtores que trabalham comigo. 

Onde você encontra mais o machismo?

Em qualquer lugar isso é comum, mas a mulher passa por muitas situações que o homem não tem. A gente precisa entender um pouco mais. No Sul da Itália, o machismo é muito maior do que no Brasil. A mentalidade é retrógrada, mas é um processo que eles vão passar. 

Eu estava semana passada com amigos em um bar (em São Paulo), e quando falamos que sou ‘performer’ alguns homens que estavam lá começaram a dar risada, insinuando para outro lado. Meu amigo falou para me respeitar. 

Como você consegue falar tão bem o português?

Morei aqui de 2012 a 2014, voltei para a Itália, e estou voltando aqui para o Brasil. Com certeza fico uns seis meses. E sou formada em língua estrangeira e estudei a literatura brasileira. Antes de eu ser cantora, fui intérprete, e acho que isso me ajudou muito, por isso deve ser uma qualidade de aprendizado fácil.

De onde surgiu a ideia da música ‘Pizza e Guaraná’?

Pizza e Guaraná nasceu como pizza e babá, que é um docinho italiano recheado de creme, mas aqui no Brasil, babá é quem cuida do bebê, então mudamos para pizza e guaraná.  Precisei criar uma música que mescla a Itália e o Brasil. A música vai ser remixada por um deejay brasileiro conhecido, ainda não posso dizer o nome, mas ela traz o aroma de Itália – dos limões da Sicília – e um pouco do Brasil.

Qual a mensagem que você quer passar com seu álbum?

Diversidade e feminilidade. Quero quebrar as fronteiras. Outra gravadora queria fazer só dance, só pop, eles são muito conservadores. Eu conversei com Boss in Drama (produtor e deejay) e ele disse que o mundo precisa quebrar fronteiras. Ele me falou que quebrando as fronteiras a gente acessa mais as pessoas. O tema das passarelas no mundo inteiro é a diversidade. Eu queria fazer, mas estava meio receosa, e ele ajudou a criar. 

A feminilidade veio por causa de As Luas de Wesak (canção-título do álbum), que tem conexão com as luas de touro. Eu passei por algumas mudanças e graças a Deus foram boas, acho que uma onda energética entrou para conspirar a favor da minha carreira. Acredito na lua de Wesak, o poder da lua feminina me ajuda a lidar com o toque e com ritos pequenos. Hoje estou mais tranquila e lido melhor com o mundo musical. 

O clipe de ‘As Luas de Wesak’:

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