Nicolas Prattes: “A hiperatividade me acompanhou. Eu sou parecido com o Alfredo”

O ator fala sobre qual personagem ele iria fazer.

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Desde sua participação em Malhação, em 2015, Nicolas Prattes vem ganhando destaque na televisão. O ator, que cresceu na coxia, acompanhando os ensaios e apresentações da mãe no teatro, estreou na TV aos 3 anos de idade, como Francesco, filho dos personagens Matteo (Thiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio), em Terra Nostra. Aos 22 anos, Nicolas se prepara para entrar na segunda fase de Éramos Seis, novela das seis da Globo, em que interpretará Alfredo, segundo filho de Lola (Glória Pires) e Júlio (Antônio Calloni), casal protagonista da trama.

Sucesso na década de 90 no SBT, Éramos Seis voltou aos lares brasileiros repaginada pelas mãos da autora, Angela Chaves, encarregada por adaptar a obra de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, livremente inspirada no livro homônimo escrito por Maria José Dupré. Na emissora do Baú, Alfredo de Lemos foi interpretado por Tarcísio Filho, uma atuação que marcou sua carreira. Para a nova versão, Nicolas Prattes demonstra grande entusiasmo com a história, o personagem e com o bom momento que vive na profissão. Ao Opinião Cult, o ator falou sobre o ofício, as expectativas e o processo de criação do genioso Alfredo, que vive metido em confusões ao longo das décadas de 30 e 40.

Ser filho de atriz gerou alguma expectativa ou exigência dentro de casa?

— Nenhuma! Primeiro eu queria ser jogador de futebol. Joguei até os 13 anos, mas o futebol começou a atrapalhar o colégio e acabei largando os treinos. A hiperatividade sempre me acompanhou. Neste sentido eu sou bem parecido com o Alfredo. Estudei em seis escolas porque não conseguia me adaptar. Eu tenho um pouco disso com ele. E quando a hiperatividade me pegou, minha mãe perguntou se eu queria fazer teatro.

E então eu entrei no curso de teatro aos sábados, 7h30 da manhã. Para quem é criança e já acorda todos os dias cedo para ir à escola, tem que querer muito. E eu me apaixonei.

Foi acontecendo, mas nunca tive esse negócio de agradar. Tanto que eu passei no teste para ser o Pedrinho, do Sítio do Pica Pau Amarelo, e não fui. Estava viajando, na Disney, ia ter que voltar. Minha primeira viagem para fora do país: eu preferi ver o Mickey. Minha mãe nunca botou pressão, nunca tive esse tipo de problema.

Como foi o seu contato com Éramos Seis? Você leu o livro?

— Li bastante! Li o livro 3 vezes. Acabei lendo muito porque ia fazer outro personagem: eu ia fazer o Carlos. Estou com o Alfredo há mais ou menos dois meses. Nós começamos a preparação em março. Então eu tive que ler como Nicolas e como Carlos; depois tive que ler como Alfredo.

Nicolas Prattes como Alfredo (foto: Raquel Cunha)
Nicolas Prattes como Alfredo (foto: Raquel Cunha)

E como tem sido esse processo de preparação?

— A gente tem aula de dança: de foxtrote, maxixe e samba. Também temos prosódia. Já estamos há 6 meses: foi a maior preparação de novela que eu já fiz. O interessante é que parece um filme, porque todo mundo conhece o final e um pouco do meio. É uma história bem conhecida pelo público. Um clássico da nossa literatura. É uma responsabilidade muito grande. Eu nunca fiz um trabalho parecido. Primeiro porque eu nunca fiz época, o que está sendo muito especial.”

O livro Éramos Seis já foi adaptado outras quatro vezes para a TV. Você assistiu alguma coisa das outras versões?

— Principalmente do SBT, porque tem muito arquivo. Da Tupi encontrei, mas muito pouco. Das outras não consegui achar nada. E eu assisti também como Nicolas, Carlos e como Alfredo. Quando fiquei sabendo que Éramos Seis era o que era, eu busquei tudo. Mas são novos tempos. Nós nos adaptamos a novos tipos de câmeras, de iluminação. Novos tipos de atuação para um novo tipo de espectador, que está muito mais exigente, querendo se desvencilhar da realidade no momento em que está vendo a novela.”

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A que você atribui o sucesso dessa história? Você acha que é atemporal?

— Acredito totalmente nisso! A família é atemporal e Éramos Seis é uma família. Os conflitos, a forma como você ama e como lida com o outro; como lida com as diferenças para conseguir conviver sob o mesmo teto. Eu acho que a novela fez o sucesso que fez pela família ser atemporal, o que faz com que a história seja atemporal.”

Você se preocupa que façam comparações entre a novela atual e a de 1994?

— Eu acho bom que vejam. Vão comparar, lógico! Como a do SBT deve ter sido comparada com a da Tupi. O desafio é adaptar para que as pessoas se identifiquem e se apaixonem pela história. Comparando ou não, mas se apaixonando, está tudo certo.

Nicolas Prattes e Pedro Sol (foto: Raquel Cunha)
Nicolas Prattes e Pedro Sol (foto: Raquel Cunha)

Você foi escalado para fazer o Carlos, porque teve a mudança de personagem?

— Não faço a mínima ideia. O engraçado é que esse personagem foi o que eu pedi para fazer na minha primeira conversa com o Carlinhos (diretor). Me chamaram para conversar com ele sobre fazer Éramos Seis. Ali eu já pesquisei muito, já vi muita coisa do SBT e gostei do Alfredo. Como eu tinha acabado de sair de uma novela em que eu era um boa praça, eu queria fazer uma coisa diferente.

Encontrei o Carlinhos e falei: quero ser o Alfredo. Posso? Ele disse que estava pensando em mim para o Carlos. Mas o Alfredo é diferente. O Carlos é aquele caxias, bom filho, que segue o que tem que ser feito. Eu acabei de fazer o bom filho: o público me viu ontem. Eu estava querendo fazer uma coisa diferente –eu disse. No cinema eu já fiz, mas queria fazer em novela.

E o Carlos (Araújo) respondeu: ‘vamos fazer o seguinte, você não tem personagem. Vamos decidir isso no caminho das coisas. Você está com a gente ou não’? – Lógico que estou! Eu quero fazer.

Fui me preparando para fazer o Carlos. Tendo aulas, lendo, estudando… Dois meses depois o Carlos (diretor) me ligou e disse que seria melhor ter uma mudança. Perguntei que tipo de mudança e ele falou que deveria mudar de personagem. Quando contou que eu ia fazer o Alfredo, comemorei. Eu estava com ele na cabeça. Estudando como Carlos, mas dormindo como Alfredo. Era o personagem que eu realmente queria fazer.”

E qual é o maior desafio para viver o Alfredo?

— A época tem um ritmo completamente diferente do nosso. As pessoas viviam o momento. Fazer em 2019 é até mais desafiador do que quem fez lá atrás, porque a gente veio acelerando, mudando tudo. É um desafio alcançar o tempo deles, principalmente sendo jovem, porque a gente costuma falar rápido; costuma não deliciar as palavras. Mas o desafio de ser o Alfredo é contar essa história com a maior realidade possível, sendo um personagem diferente de tudo o que eu já fiz.

Quem é o Alfredo?

O Alfredo luta pelas causas trabalhistas e é acusado de comunista. Vai contra toda aquela idealização do Getúlio. A política está totalmente inserida nessa história, é um personagem. A gente está em um momento político complicado. Coincidentemente naquela época também. Parece que nada mudou. Ao mesmo tempo, muita coisa mudou.”

O Alfredo é um militante. E o Nicolas Prattes, costuma se posicionar politicamente?

— O ator é aquele que se posiciona sobre tudo. Acho que a minha posição é de que as coisas melhorem. Hoje não temos que ter isso de ser direita ou esquerda. Moramos no mesmo país e queremos que ele melhore. Para mim todo mundo tem que se juntar e começar a fazer coisas passíveis de mudança que sejam agregadoras, em vez de cada vez mais se distanciar.

O engajamento político do seu personagem te preocupou por conta do momento de polarização que o país atravessa?

— Não, isso me deixou feliz. Enquanto ator – acredito que a maioria dos que estão na profissão pensem assim —, o  desejo é que com o nosso trabalho haja reflexão, haja mudança para o bem coletivo. E o Alfredo é esse cara que luta para as pessoas terem hora de trabalho, décimo terceiro salário, segurança do trabalho. Então ele é esse cara que gosta do ser humano. É um cara da justiça.

Você procurou mudar para o personagem?

— Acaba que o próprio contexto da novela demanda essa mudança. Eu quero mudar tudo sempre. Quando acabo um trabalho quero tirar esse cara de mim e partir para outra. Quero ser um papel em branco. Meu desafio neste personagem é pintar e colorir com as melhores cores possíveis.”

Onde o Nicolas quer chegar?

— Desde a minha primeira entrevista, na Malhação, que eu digo que meu sonho é não parar. Agora eu quero fazer a maior quantidade de coisas possíveis. Eu procuro não pensar muito.Eu quero fazer.

Qualquer personagem. Este que estou agora, que eu pedi muito, tem uma humanidade tão grande, tão bonita,que eu quero fazer. Então, pode ser o protagonista, pode ser o irmão do protagonista, pode ser o que não contracena com o protagonista. Se tiver uma humanidade que me pega, eu faço.Eu tenho que estar vibrando fazendo. É aquela coisa de não existir papel pequeno, existir ator pequeno.

Gostou da entrevista com Nicolas Prattes? Veja também sobre as novidades de Amor de Mãe, nova novela das nove da Rede Globo.

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