Gloria Pires (foto: Raquel Cunha)

Glória Pires: “Quando Silvio de Abreu me convidou, só faltei ajoelhar no chão”

Veja a entrevista da protagonista de Éramos Seis.

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A importância de Glória Pires para a dramaturgia brasileira é inegável. Desde que participou da abertura de A Pequena Orfã, em 1971, aos oito anos de idade, não parou mais de atuar, na televisão, no teatro e no cinema. De lá para cá, a atriz fez vilãs, mocinhas, gêmeas, entre outros bem e mal sucedidos.

Desde o início de outubro, o público está conferindo Glória em um personagem importante da literatura. Uma grande responsabilidade!

Na trama, a veterana vive Lola, apelido carinhoso para Eleonora Lemos, uma mulher dedicada à família, que vive para cuidar do marido, Júlio (Antonio Calloni), e de seus quatro filhos: Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes), Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio).

Em plena década de 20, Lola é uma mulher que lida com bom humor e equilíbrio os problemas como machismo do marido, dificuldades financeiras e relações humanas.

Veja o que a atriz falou com a gente:

Em primeiro lugar, quem é dona Lola?

— Dona Lola é uma mãezona, que faz das tripas coração para ter harmonia na casa dela, conseguir resolver os problemas. É uma boa amiga, sempre disposta a ajudar quem precisa: é uma mulher batalhadora.

Existe uma dificuldade em fazer uma personagem que já foi inúmeras vezes interpretada?

— Eu não assisti aos outros remakes. Ainda assim, tanto a Irene Ravache quanto a Nicette Bruno são atrizes que são referência para mim. Como também tinha essa referência na Eva Wilma, quando eu fiz Mulheres de Areia, embora eu também não tenha assistido à versão original. Eu amo essas atrizes, elas me fizeram crescer, me ajudaram até sem saber. Todas elas são um exemplo.

Segundo a Angela (Chaves), a personagem está mais moderna, menos submissa. O que você acha que tem nela de atual, que vai fazer com que o público a enxergue como uma mulher dos novos tempos?

— A gente não sabia antes que as mulheres eram tão poderosas. Essa versão traz isso da mulher, enaltece as qualidades femininas. A mulher sempre puxou o bonde.  Mas como elas estavam sempre nas sombras, a gente não sabia a grande importância que as mulheres sempre tiveram, mantendo suas famílias, levando adiante seus lares e a estabilidade. Isso sempre esteve nas mãos das mulheres. Agora a gente sabe!

O Júlio, coitado, é um homem que não dá conta do peso que colocaram nele. Isso é uma coisa que eu sempre pensei. Quando a gente foi fazer Se Eu Fosse Você, eu pensava muito em como é difícil esse papel que colocaram para o homem, que pode parecer um lugar confortável, de privilégios. É também este lugar, claro, mas por outro lado tem um peso enorme. Não há espaço para esse homem chorar e dizer: ‘estou mal, preciso de ajuda, não estou dando conta’. O ser humano é difícil, a humanidade é complicada. Por isso é bacana trazer essa história, que é antiga, mas que a gente se identifica até hoje.

Elenco na festa de lançamento de Éramos Seis (foto: Reginaldo Teixeira)
Elenco na festa de lançamento de Éramos Seis (foto: Reginaldo Teixeira)

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É uma história que fala de amor, de família. Como você percebe, hoje em dia, a relação familiar?

— É um texto emocionante! As cenas são muito emocionantes, tratando justamente desse universo familiar, essa coisa muito íntima, muito dentro de casa. Isso é o grande diferencial. Eu acho que as pessoas vão sentir o mesmo que eu sinto quando estou ali interpretando.

Ao receber o convite, o que te conquistou para aceitar viver a personagem?

Quando o Silvio de Abreu me perguntou se eu toparia fazer eu só faltei ajoelhar no chão e beijar os pés dele. É uma personagem icônica, que já foi interpretada por atrizes que eu amo. E o convite vindo do próprio Silvio neste momento em que eu completo 50 anos de carreira (…). Foi muito emblemático isso para mim.

“E este trabalho está me levando de volta à minha infância: a coisas que meu pai contava, coisas que eu vi meu pai fazendo, casos de família. Eu estou viajando no tempo lá para trás, diariamente, e tem sido muito emocionante.”

Você sempre se viu como uma mulher poderosa?

— Eu sempre soube o que eu queria, sempre tive claro quem manda em quem, em relação a dinheiro e poder, por exemplo. Tudo o que o consumismo impõe para a gente, tive muito claro: o que eu quero, o que é uma imposição, o que me serve e o que não me serve. Eu sempre tive isso claro, mas nunca me senti poderosa. Eu sou uma mulher comum.

Gostou do papo com Glória Pires? Leia também nossa conversa com Susana Vieira e Nicolas Prattes.

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