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“Walcyr, esse beijo sai ou não?”, diz Guilherme Leicam de ‘A Dona do Pedaço’

10 setembro, 2019
Em um papo descontraído, o ator fala sobre seu personagem.

Por Ruan Rocha

Guilherme Leicam está com sorriso de orelha a orelha com o seu papel em A Dona do Pedaço. O personagem Leandro está passando por diversas modificações, transformando o rústico Mão Santa no amor pueril por Agno, de Malvino Salvador.

A novela das nove chega ao seu capítulo 100 em 12 de setembro, com boa repercussão e audiência crescente. A expectativa pelo episódio não se deve apenas ao marco centesimal, mas às reviravoltas que devem dar novos rumos aos diferentes personagens do folhetim a partir dos próximos dias. Mudanças essas que já começaram a se desenhar. Para desvendar um pouco do que está por vir, o Opinião Cult foi convidado a uma visita aos Estúdios Globo, onde pudemos conhecer alguns ambientes de gravação e conversar com parte do elenco da novela das nove.

O primeiro a nos receber foi o próprio Guilherme Leicam. Em um bate papo descontraído, o jovem revelou suas experiências para viver o papel, desde o convite até as cenas mais recentes, que tem apresentado ao público uma nova personalidade para o matador do tiro certeiro.

O ator não esconde o entusiasmo de representar um personagem complexo. Leandro aparece na história como um dos assassinos de aluguel da família Ramirez, mas vem deixando para traz o ar de vilania, principalmente a partir do encontro e envolvimento com o empresário.

Os sentimentos de Leandro pelo empresário, até então sugeridos, tornaram-se explícitos nos últimos capítulos, após Agno ser mais uma vez rejeitado por Rock (Caio Castro) e em uma ameaça à vilã Fabiana (Nathalia Dill), pelas suas investidas maldosas contra o sócio da construtora. A nova fase do personagem resulta em um importante momento para a carreira de Leicam, que tem recebido um retorno muito positivo por sua atuação em A Dona do Pedaço.

A chegada da novela ao capítulo 100 promete uma série de reviravoltas na história, o que o público pode esperar do seu personagem?

Meu personagem entrou para ser um matador e agora está descobrindo a salvação da vida dele, que é o amor. Ele está se envolvendo com o Agno e eu estou amando esse casal.

Casais homoafetivos em telenovelas sempre contam com a expectativa em torno do beijo. Podemos esperar um beijo entre o Leandro e o Agno?

Está todo mundo me perguntando se vai ter beijo. Eu também me pergunto. E aí, Walcyr, esse beijo vai sair ou não? O Walcyr (Carrasco) já me perguntou se teria problema em realizar essa cena. Respondi que de forma alguma, pois o meu trabalho como ator é me emprestar para o personagem, dar vida a ele. Eu vou adorar se tiver o beijo.

Leandro ( Guilherme Leicam ) treina com Abdias ( Felipe Titto ) no ringue.  Agno ( Malvino Salvador ) observa. (Foto: Globo/ Victor Pollak)
Leandro ( Guilherme Leicam ) treina com Abdias ( Felipe Titto ) no ringue. Agno ( Malvino Salvador ) observa. (Foto: Globo/ Victor Pollak)

Como foi o convite e a preparação para viver o Leandro?

Quando recebi o papel decidi que seria algo diferente de tudo o que já fiz. Eu engordei oito quilos, estava barbudo e grisalho. Estava enfeando para dar peso ao personagem, porque ele era um matador rústico do interior. Pensei: desapega da vaidade e vai!

Nesse processo, a história começou a mudar e eu não sabia. Acho que ninguém sabia. Foi na festa de lançamento da novela, no Copacabana Palace, que encontrei o Walcyr e ele me falou: “olha, eu mudei o seu personagem”. Perguntei: eu preciso mudar? E ele respondeu: “completamente! Agora você precisa emagrecer, tentar ficar mais novo. Não vai estar mais na faixa dos 30. Vai ter 23 ou 24 anos”.

Eu tinha em torno de dois meses até começar a gravar. Foi uma loucura a mudança de visual: dieta para perder os oito quilos que ganhei, pintar o cabelo para tirar os fios brancos, tirar a barba.

“Quando recebi o papel decidi que seria algo diferente de tudo o que já fiz. Eu engordei oito quilos, estava barbudo e grisalho.”

Como você encarou essas mudanças para viver o personagem?

Não são um problema, eu não tenho essa vaidade. Eu me preocupo não com a mudança do visual, mas com a inteligência emocional do personagem. No caso do Leandro, ele é um cara chucro, que não teve estudo, mas que entende a vida.

Quando você soube que o personagem seria gay, como foi a preparação?

Eu conversei com muitos amigos que me contaram como são as coisas, como foram suas experiências. Também fui ler e estudar sobre o assunto.

Achava que o Leandro não iria se apaixonar pelo físico ou pelo dinheiro. Fui buscar a origem desse amor. Estudando, descobri o chamado “amor anaclítico”, que é quando você ama alguém pela figura materna ou paterna. Aquela pessoa cuidou de você, supriu suas necessidades e você se apaixona por ela.

O Leandro não teve carinho dos pais. Ele foi criado por uma família que o adotou e a toda hora repete esse discurso: “eu não tive pai”. Não que isso signifique que ele vê o Agno apenas como um pai. Tem o desejo, que é justamente o que provoca esse amor anaclítico, em que um completa o outro.

Qual a importância de levantar esse tema na televisão?

Eu acho interessante porque o Leandro não é um clichê. Eu não lembro de um personagem na TV que era um matador e de repente se viu em um romance homoafetivo com essa intensidade. Ele é um cara que está em um processo de descoberta. Eu fico muito feliz de ver que ele está se descobrindo e não se reprimindo. Ainda vamos ver se o Chiclete e a tia Evelina vão ficar ao lado dele. Mas ele merece essa chance.

Eu recebo muitas mensagens de gente dizendo que se identifica muito com o personagem. Casos de meninos e meninas falando que os pais não sabem que são gays. De gente falando que é importante o personagem não ser estereotipado, ser um cara reservado. Eu estou muito feliz de estar representando essas pessoas.

Além do retorno positivo, já recebeu reações negativas à essa nova fase do personagem?

Eu faço enquete toda hora nas redes sociais para saber como está o termômetro. Está sempre de 70% para cima o retorno positivo. Ainda não senti, mas sei que vão ter reações contrárias à situação, porque sempre tem. Mas o mais importante e legal é ver que a maioria está lidando sem preconceito.

“Estudando, descobri o chamado “amor anaclítico”, que é quando você ama alguém pela figura materna ou paterna.”

Como o envolvimento com o Agno mudou o comportamento do Leandro e como você entrega isso ao público?

O Leandro não é um Ramirez, ele foi criado como um agregado da família. Então agora ele está encontrando o lugar dele de verdade. Pode ser que não queira mais fazer encomenda depois disso. Seria muito bacana, porque o amor salva tudo. E ele está fazendo de tudo para ser uma pessoa melhor. Ele está trabalhando de faxineiro na academia, é um cara grato.

Além daquilo que o Walcyr escreve, tem a forma como a gente coloca o nosso subtexto. Eu não gosto de mudar texto, mas no subtexto eu estou colocando o Leandro como um cara exemplar. Eu estou colocando como um cara ético, nunca agressivo. Mesmo que às vezes venha para ele ser um pouco duro, eu faço ele sério, defendo o lado dele.

Leandro ( Guilherme Leicam ) (Foto: Victor Pollak)
Leandro ( Guilherme Leicam ) (Foto: Victor Pollak)

E como tem sido dividir a cena com o Malvino Salvador?

Quando eu cheguei nas gravações ainda não conhecia o Malvino. Ele passava por mim e falava: “vou te pegar, hein!” Eu respondia: acho que eu vou te pegar primeiro. Sempre levamos esse clima de brincadeira, de zoeira. É gostoso quando a gente se diverte com o que faz. Ele já me deixou à vontade desde o primeiro dia, quando começamos a discutir como seria. Concordamos que existe alguma coisa diferente. O personagem dele tem muito dinheiro, já pagou garotos de programa, já teve relacionamentos superficiais. O Leandro está entrando para ser algo mais intenso, verdadeiro. Ele quer algo com sentimento, não quer ter uma noite e acabou. Ele sente essa falta do sentimento. E um vai completar o outro nesse aspecto, porque o Agno está desamparado: ele separou da família, está tendo problemas com a filha. Não está tendo inteligência emocional para lidar com a situação. E o Leandro é bem mais centrado, de repente vai ajudar.

O Agno teve seus momentos como um mau caráter. O Leandro, então, vai ser uma redenção para ele?

É aquele negócio do olhar apaixonado. Quando você está apaixonado, não vê defeitos. A pessoa é incrível, maravilhosa, depois que a paixão vai acabando…

Sim, a paixão acaba. Ela pode virar amor depois ou não. Eu acho que o Leandro está nessa fase em que ele só vê o lado bom, em que fala o tempo todo que o Agno é a melhor pessoa do mundo, mas todos nós temos os dois lados, ninguém é perfeito. É isso que a novela mais explora. Essa mistura de comportamentos é que torna a novela interessante.

Guilherme, onde você encontrou o equilíbrio entre o Mão Santa e o Leandro, duas personalidades tão diferentes?

A (diretora) Amora (Mautner) ajudou a construir o personagem. A ideia dela foi a seguinte: “já que é para fazer um matador, vamos fazer tudo, menos um matador”. Ia ficar muito óbvio chegar com cara de matador, olhar de matador. Fica óbvio e isso ninguém quer ver porque já indica o final. A graça é querer saber o que vai acontecer. Olhar para o personagem e pensar: olha, ele tem a maior cara de príncipe, será que ele vai ter coragem de matar? E se ele tiver?! A gente se surpreende.

A Amora é muito cuidadosa: ela e todo o time de direção. Rola um feedback entre toda a equipe que ajuda a compor. Se eu gravo hoje com a Amora, por exemplo, e no dia seguinte chego para gravar com outro diretor, ele já sabe o que aconteceu, tem essa comunicação entre todos. Não é um trabalho isolado. Todos os dias rola esse feedback para dar consistência ao trabalho. Eu me sinto muito tranquilo quando converso com cada diretor. E outra: a linha do personagem é muito nossa. A gente que estuda mais do que ninguém o personagem. O diretor faz a costura da história para que ela faça sentido: o que você criou, com o que o outro criou, com o que precisa ser feito.

Eu estou tendo bastante liberdade para fazer, inclusive para colocar minhas marcas. Uma cena que foi ao ar há poucos dias, em que o Leandro tropeça e derruba o sanduíche em cima do Agno, por exemplo. Aquilo ali eu criei na hora, porque eu acho que ele é um cara que quer tanto agradar que acaba atrapalhado. E isso começou a ficar natural. Até porque eu acho que não é para ser um casal pesado, é para ser divertido.

Leandro ( Guilherme Leicam ) (Foto: Globo/Estevam Avellar)
Leandro ( Guilherme Leicam ) (Foto: Globo/Estevam Avellar)

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A que você atribui o sucesso do casal e da novela A Dona do Pedaço?

O Walcyr é muito esperto! Ele coloca a história para as pessoas irem curtindo aos poucos. Ele coloca no ar para as pessoas dizerem: ah, eles podiam ficar juntos! Ele sabe o que está fazendo, mas deixa o povo ter a ideia. Joga no ar para a galera ficar interessada.

E a novela está tratando de realidades, de coisas que fazem sentido. O meu pai, que é o noveleiro lá de casa, sempre comenta o quanto está real esse negócio. Tem filho que não ama a mãe, que é frio, que pode ser um psicopata. A gente tem que enxergar a nossa casa, a nossa família e perceber que às vezes está criando mal um filho.

A história do Agno, um homem casado, que ficou naquela vida por muito tempo para manter a imagem. Isto existe por todo canto.

O que eu sinto em muitas pessoas quando dizem que estão acompanhando meu personagem, que elas querem saber o que vai acontecer, é que desejam saber o que vai acontecer com elas mesmas: “será que ele vai falar para a família e vai ser rejeitado? Porque esse é o meu medo”.

Nós estamos fazendo a novela da vida real. Um elenco fantástico, escolhido a dedo. E o legal é que cada personagem tem uma oportunidade, depois tem outra, o que dá a chance de mudar, de crescer, de desenvolver cada história. Não é uma trama em que um personagem aparece para brilhar em um único momento.

12 – Guilherme, como está o investimento na carreira musical?

Faz um ano que coloquei na minha cabeça que sempre que não estiver fazendo novela eu vou cantar. Comecei minha carreira com teatro musical, sempre cantei. Eu tinha banda aqui no Rio. Levei minha banda para o nordeste, mas fiz outra banda lá, onde fiquei um ano criando oportunidades. Eu estou em estúdio fazendo um trabalho para ser lançado depois da novela, para não colocar o carro na frente dos bois. Também estou compondo: o meu próximo trabalho vai ser 100% autoral. Uma das coisas que eu aprendi na prática é que você precisa colocar seu trabalho na praça, sem medo de ser feliz, de dar certo ou não. Por isso eu passei essa temporada no Nordeste, me pesquisando e me testando.

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Jornalista gaúcho apaixonado pela cultura. Fã de novelas e cinema, adora ver projetos interessantes e o melhor, entrevistar diversos tipos de personalidades do entretenimento. Como experiência profissional, já foi repórter de cultura dos jornais Extra, Metro e O Dia, e produtor de conteúdo do site do Caldeirão do Huck.
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