Éramos Seis: Globo estreia o quinto remake do clássico da literatura

Entenda tudo sobre a trama.

By
ads
Isabel ( Maju Lima ), Carlos ( Xande Valois ), Julinho ( Davi de Oliveira ), Júlio ( Antonio Calloni ), Lola ( Gloria Pires ) e Alfredo ( Pedro Sol )

Em 1943, a escritora Maria José Dupré lançou um livro que atravessou gerações. Sem prever a chegada da televisão ao Brasil, a existência da internet e do streaming, nascia ali um clássico multiplataforma, garantia de sucesso em todas as janelas por onde transitou. A jornada de Éramos Seis para fora das páginas começou em 1945, com um filme argentino dirigido por Carlos Borcosque. Dali em diante entrou nos lares brasileiros por quatro vezes: a primeira em 1958, em uma novela produzida pela TV Record. Em 1967 e 1977 foi a vez da TV Tupi levar ao ar duas versões diferentes para o livro. A segunda, na década de setenta, escrita por Silvio de Abreu em parceria com Rubens Ewald Filho. Seria este o primeiro trabalho como autor de Silvio de Abreu, hoje responsável pelo Departamento de Dramaturgia da TV Globo. Passados quase vinte anos, em 1994, Silvio e Rubens repetiram o encontro para uma nova adaptação da história de Dupré, dessa vez no SBT, um dos maiores sucessos da emissora.

Nesta segunda-feira (30), setenta e seis anos após o lançamento literário de Éramos Seis, a Globo estreia sua versão para a história da família Lemos, capitaneada por dona Lola, hoje interpretada por Glória Pires. A nova novela, que sucede Órfãos da Terra na faixa das 18h, vai ao ar cercada de expectativas e saudosismos. O universo familiar construído por Maria José Dupré é grande conhecido do público, seja pelo livro ou pelos folhetins produzidos até então. A responsabilidade de readaptar para a TV pela quinta vez é da autora Ângela Chaves, que propõe uma narrativa baseada na novela de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, livremente inspirada no livro de Dupré. A direção fica a cargo de Carlos Araújo, com quem a roteirista repete a parceria de Os Dias Eram Assim.

Durante a festa de lançamento que aconteceu na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, no Rio de Janeiro, o primeiro a conversar com o Opinião foi Othon Bastos. O ator, que esteve no último remake como o protagonista, Júlio – agora interpretado por Antonio Calloni—, retorna repaginado como Padre Venâncio, um personagem novo na história. O que, a princípio, seria uma participação, tornou-se permanente pelo olhar do diretor, que decidiu manter o padre na novela como aquela figura que circula e conhece todos, com quem as pessoas vão se confessar, realizam casamentos, batizados. A homenagem feita com o convite foi muito bem recebida por Othon Bastos, que lembra com saudade da repercussão de 1994: “foi uma novela que causou um impacto muito grande. Nós não esperávamos tanto. Já tinha sido feita com o (Gianfrancesco) Guarnieri em setenta e sete; de repente foi refeito no SBT e foi um enorme sucesso, o que abalou até as próprias estruturas do Silvio Santos. Na verdade ele ficou com medo que o sucesso que estava acontecendo com a novela acabasse mexendo com o programa dele”, brinca o ator.

O fato de não estar próximo do papel que viveu na adaptação anterior é um alívio para Othon Bastos, que comemora: “ainda bem que não tem nada a ver com o personagem do Júlio. Não sou parente, não sou tio, não sou avô, não sou nada dele”. Sobre a motivação para viver o padre Venâncio, o ator declarou: “o que me inspira, na verdade, é a possibilidade de participar de uma novela que já fiz. Quando recebi o convite a única coisa que passou pela minha cabeça foi fazer uma homenagem ao meu amigo, Rubens Ewald Filho, que era um grande artista, um homem que vivia do cinema e para o cinema”.

Recontar uma narrativa escrita há quase um século e várias vezes adaptada, não intimida a autora, uma apaixonada por literatura: “é uma história atemporal, que traz para o debate conflitos universais. Eu espero que as pessoas se emocionem com a história de uma família, que se encantem com os erros e acertos de cada um”. Sobre as marcas impressas no novo texto a dramaturga revela ter mexido no ritmo da trama e na espinha dorsal de alguns personagens: “a novela está mais ágil. A narrativa é mais coesa e mais amarrada. Adaptamos algumas histórias também, como o caso da Shirley e sua família. Além disso, Lola, embora continue sendo uma mulher do seu tempo, está menos submissa, é mais ativa, e não é melancólica”.

Lola, a matriarca da família, foi interpretada por Gessy Fonseca, na TV Record (1958); Cleyde Yáconis, na TV Tupi (1967); Nicette Bruno, também na Tupi (1977); Irene Ravache, no SBT (1994); e agora ganhará vida pelo desempenho de Glória Pires, que não esconde a empolgação com a personagem. Apesar da ambientação em um período em que a mulher não tinha um espaço relevante para se expressar ou comandar a própria vida, Glória destaca que a novela traz a força da mulher como responsável por manter a família nos eixos, enaltecendo as qualidades femininas: “a mulher sempre puxou o bonde”, ressalta a atriz.

Irene Ravache, Nicette Bruno e Gloria Pires, na casa da Lola (Gloria Pires), de ‘Éramos Seis’ (foto: Raquel Cunha)
Irene Ravache, Nicette Bruno e Gloria Pires, na casa da Lola (Gloria Pires), de ‘Éramos Seis’ (foto: Raquel Cunha)

Conheça a trama de Éramos Seis

Eleonora Lemos, mais conhecida como Lola, é casada com Júlio (Antonio Calloni) e eles são pais de quatro filhos: Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes), Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio). No início da década de vinte o casal decide comprar uma casa na nobre Avenida Angélica, no Centro de São Paulo. Sem dinheiro para o pagamento à vista, fazem um financiamento longo com o banco. É em torno do período de quitação do imóvel, das dificuldades financeiras e com foco nas relações interpessoais através do tempo, que a história se desenha e se aproxima do público leitor/espectador.

A trama em torno da família Lemos percorrerá três décadas do início do século vinte: a novela começa em 1920, passa pela década de 30 e termina nos anos 1940. A atriz Giullia Buscacio, de vinte e dois anos, que interpretará Isabel, filha caçula de Lola e Júlio, falou sobre o desafio para a construção de sua personagem: “a dificuldade é recriar uma época que a gente não viveu. Isso tem que ser muito bem estudado, porque muito da personalidade, do que a pessoa é, vem do meio em que ela vive. Eu vivo na era da internet, sou uma jovem de uma época completamente diferente. Então, como é uma família que cresceu jogando bola na rua, brincando de boneca? É totalmente diferente do meio em que eu cresci”.

Genu ( Kelzy Ecard ) Foto: Raquel Cunha

Quem também indicou a necessidade de estudar os comportamentos no período histórico em que a novela está ambientada foi Danilo Mesquita, que interpretará Carlos, um dos irmãos de Isabel. Filho mais velho de Lola e Júlio, Carlos é certinho e estudioso. Companheiro da mãe, o jovem sonha em ser médico e tem uma relação conflituosa com o irmão, Alfredo (Nicolas Prattes): “eu busquei vídeos antigos de São Paulo no Youtube. Vídeos das ruas, raros, para entender como era o comportamento, a energia das pessoas”. Apesar disso, o ator viu no texto a maior referência para compor o personagem: “eu mergulhei na coisa das relações. É uma novela de época. Claro que tem coisas que compõem essa história, mas antes de tudo ela é uma novela de relação familiar, de conflitos que não são inerentes àquela época. Em qualquer período existem questões de família, brigas entre irmãos, com a mãe, dificuldades financeiras para pagar a casa, ou mesmo uma paixão que se foi. Os conflitos são os mesmos. Por isso eu tentei me aproximar ao máximo do que a gente sente na vida. A época compõe, traz poesia porque deixa tudo mais charmoso, mas os dramas poderiam se passar em qualquer fase do mundo. Por isso eu penso primeiro nas relações que envolvem o personagem”.

Danilo, que entra na novela nos anos 30, teve pouco tempo para se preparar para o papel: “eu recebi o convite do Carlinhos (Carlos Araújo, diretor) e da Dani Pereira (produtora). Não esperava, estava fazendo outro projeto, então entrei de última hora. Mesmo assim está sendo uma delícia. Para construir o Carlos, fui direto no livro e no texto da própria novela. Não tinha muito tempo para pesquisar outras coisas. Mas Éramos Seis tem uma coisa muito nossa. Todo mundo tem uma história na família que se aproxima; são problemas de relações humanas. São personagens muito próximos da gente. Então eu acho que as pessoas vão se identificar com isso”. Depois de ter vivido o músico, Nicolau, em Rock Story, e Valentim, em Segundo Sol, Danilo Mesquita nos revela com alegria a possibilidade de trabalhar com música em cena mais uma vez: “você acredita que eu acho que tem umas cenas tocando violão? – indaga empolgado. Música é a minha vida. Ter um pouco de música junto faz o coração ficar ainda mais feliz”.

Por falar em Segundo Sol, outra atriz que deixou saudade na história de Beto Falcão retorna à telinha para interpretar Genu, a vizinha e melhor amiga de Lola. Trata-se de Kelzy Ecard, que apesar de uma longa e promissora carreira no teatro vai para a sua segunda novela, com a alegria de uma estreante: “é uma nova linguagem para mim. Mas eu tenho uma coisa como atriz que eu me sinto sempre começando”. Genu, personagem de Kelzy, é a fofoqueira da rua; casada com Virgulino (Kiko Mascarenhas), com quem tem dois filhos: Lili (Bruna Negendank/Triz Pariz) e Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack).

Emília ( Susana Vieira ) Foto: Raquel Cunha
Emília ( Susana Vieira ) Foto: Raquel Cunha

Susana Vieira volta à telinha

Quem também está de volta em Éramos Seis é a atriz Susana Vieira. No ar atualmente no Vale a Pena Ver de Novo, com a odiada/amada Branca Letícia de Barros Mota, de Por Amor, Suzana esteve afastada da TV por dois anos, após ser diagnosticada com leucemia linfocítica crônica. Na nova novela das seis ela viverá Emília, tia da protagonista, Lola.

Confiante no sucesso do livro e de todas as versões levadas ao ar em diferentes emissoras e momentos, Éramos Seis aposta nas relações interpessoais para construir uma história envolvente com a qual o público vai se identificar e emocionar. O resultado vamos conferir a partir desta segunda-feira, logo após Malhação.

ads

Leave a Comment

Your email address will not be published.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

ads

You may also like