Duda Nagle: paixão por papeis de ação inspira o ator

O ator fala das cenas de luta com Caio Castro.

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Duda Nagle foi convidado a viver o seu terceiro lutador na dramaturgia, um caminho cheio de ação para o qual vem direcionando a carreira, com treinos, alimentação balanceada e referências reais e na ficção. Em A Dona do Pedaço, a expectativa pelo primeiro desafio de Rock (Caio Castro) nos ringues era grande. Para enfrentar o boxeador e movimentar outro núcleo da trama das nove, Em nossa visita aos Estúdios Globo, o Opinião Cult bateu um papo com o ator, que falou um pouco sobre como é dar vida ao personagem Paixão.

Rock ( Caio Castro ) e Paixão ( Duda Nagle ) Foto: João Miguel Junior
Rock ( Caio Castro ) e Paixão ( Duda Nagle ) Foto: João Miguel Junior

1- Como você recebeu o convite para participar da novela, com seu terceiro personagem lutador?

A carreira do ator é muito volátil. Eu não estava esperando e de repente surgiu o convite, que me fez mudar completamente a vida em poucos dias: em uma semana eu já estava careca, de cavanhaque, lutando boxe em cena.

Eu já estou me preparando para esse tipo de personagem há muito tempo, porque tomei essa decisão. É o meu terceiro personagem lutador, o que é muito bom porque eu cresci assistindo Rocky Balboa (personagem icônico de Sylvester Stallone), Jean-Claude Van Damme, filmes como Duro de Matar, Máquina Mortífera e outros que fazem essa mistura de ação com luta.

Antes de fazer o primeiro lutador, na Malhação em 2017, eu já estava treinando. Foi até curioso, porque eu tinha postado nas redes sociais um treino de boxe e a produtora de elenco me ligou: perguntou se eu estava trabalhando em algum lugar e se eu treinava alguma luta. Eu achei que ela tivesse visto, mas foi uma grande coincidência. Dali em diante comecei a treinar bastante. Até que surgiu um outro trabalho: uma série sobre um lutador de vale-tudo, que teve duas temporadas na Fox.

E agora veio o desafio do Paixão. Assim que recebi o convite fiz um batidão no Globoplay para ficar por dentro da história.

2- O Paixão surge na novela como primeiro adversário do Rock, interpretado pelo Caio Castro. Como foi a gravação do duelo entre os dois personagens?

Foi muito legal! Ficamos horas fazendo. O Canal Combate, o Esporte Espetacular e o GShow vieram aqui cobrir as filmagens. E nosso árbitro foi um árbitro real, com muitas lutas na carreira: o Flávio Almendra.

Primeiro foram feitas todas as cenas da plateia: as reações, os diálogos. O diretor virou criança. Ele estava muito empolgado! Foram 4 horas fazendo a cena, sem falar no tempo de ensaio antes de começarmos a gravar.

3- Você fez toda a cena ou foi preciso fazer uso de dublê?

Meu sonho é fazer o dublê uma figura meramente ilustrativa. O objetivo é sempre fazer tudo. Mas eles são muito importantes para coreografar tudo, pois tem muito pouco improviso: a gente marca a movimentação toda e fica repetindo e repetindo. É como uma dança. A dança dos famosos (risos).

Nisso os dublês são fundamentais, porque eles coreografam tudo, ficam ajudando o diretor a colocar a câmera no lugar certo; ajudando a gente a se posicionar no lugar certo também. É tudo uma grande ilusão de ótica, tudo truque. O golpe tem que passar no lugar certo para parecer real. E as cenas ficaram muito legais.

4- E não escapa um golpe real?

Foi muito engraçado porque o Caio estava todo preocupado, falando para tomarmos cuidado. E eu dizendo: relaxa, vamos chegar lá e fazer. Vai dar tudo certo, a gente ensaiou bastante. Na primeira passada, um plano aberto, de longe, para fazer um estoque de imagens, vejo a mão dele passando e acertando a minha boca em cheio.

5- Tem risco de se machucar durante a cena?

Esse risco acontece nas gravações. Principalmente porque a gente está com vaselina no rosto e óleo no corpo, que normalmente o lutador profissional usa. Depois de vários takes que a gente já caiu, o chão fica parecendo um ringue de patinação. O maior risco é escorregar ou torcer o pé. Mas eu gosto muito disso. Eu gostaria de puxar minha carreira para esse lado da ação, dos efeitos especiais. É muito legal! Tenho me dedicado a isso.

6- Você já pensou em lutar? E se inspirou em algum lutador específico para viver todos esses personagens?

Com jiu-jitsu eu já competi algumas vezes. Eu queria viver a experiência do MMA, mas de uma forma mais amadora, claro. Deve ser inesquecível.

Como inspiração, fui misturando um monte de referências de lutadores que já vi com os da ficção. E assim vou compondo o estilo de luta na prática, misturando essas imagens com toda a composição técnica que criamos para as cenas.

Rock ( Caio Castro ) e Paixão ( Duda Nagle ) Foto: João Miguel Junior
Rock ( Caio Castro ) e Paixão ( Duda Nagle )

7- O Paixão veio para ser o adversário do Rock. Passada essa luta, o personagem continua na trama?

Além da luta o personagem vai se envolver com a Kim (Monica Iozzi). Algumas cenas já foram ao ar. O Paixão é autocentrado, para usar essa palavra da moda. É uma mistura de tudo de ruim (risos): egocêntrico, narcisista. Mas de uma forma bem humorada. 

Eu acho que a minha função na história vai ser fazer a Kim provar o próprio veneno, porque ela é bem assim, autocentrada, se acha o máximo. Meu personagem é a Kim ao quadrado e vai fazer com que ela sinta isso na pele.

8- Já tem algum outro projeto para fazer após o fim da novela?

Tenho um projeto de cinema acertado. Vou fazer um filme baseado num best-seller infanto-juvenil, chamado O Garoto do Cachecol Vermelho. Tem umas outras coisas que estou torcendo muito para rolar.

9- O cinema nacional enfrenta um período muito tenso, principalmente no que diz respeito ao financiamento, devido a uma série de medidas do governo federal sobre a Ancine. Acha que esse projeto pode ser afetado?

O pessoal está bem empolgado, acreditando que vai conseguir levantar a grana para fazer. É bem delicado, são várias as formas de financiar um filme. Tem as mais tradicionais, que o mercado está mais acostumado, mas tem outras saídas. Temos novas plataformas e novas formas de levantar patrocínio.

Por exemplo, eu faço um programa na internet chamado O Dono de Casa. Eu consegui levantar o dinheiro para fazer 3 temporadas no Youtube, e depois ele foi parar no Canal Sony, por causa do meu Instagram. Eu usei a rede social para garantir o patrocínio da marca através de publipost (post patrocinado).

A gente estava gravando para o Youtube e quando o patrocínio chegou a gente jogou o material todo fora. Começamos a gravar de novo, dessa vez com roteirista, operador de áudio, uma câmera de cinema. Um processo mais profissional. E ainda conseguimos, com o excedente da verba de mídia, comprar um espaço no Canal Sony para exibir pílulas na programação. Foi a primeira vez que eu participei de uma produção com essa função executiva e pude ver que são novos tempos. Tudo vai ficar meio crossmedia. A gente pode e deve usar tudo a nosso favor para fazer um trabalho acontecer.

Gostou do papo com Duda Nagle? Nós também conversamos com Guilherme Leicam, Agatha Moreira e outros colegas de A Dona do Pedaço. Leia e divirta-se!

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