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Mel Gibson vive redenção em ‘Herança de Sangue’

Redenção talvez seja a palavra mais adequada para definir ‘Herança de Sangue’ (Blood Father), novo filme do astro Mel Gibson. O próprio ator australiano passa por transformação em sua vida  após alguns escândalos em seu mais recente casamento, declarações polêmicas, alcoolismo, etc. Digamos que Gibson estava com o “filme queimado” nos últimos anos e precisava se reerguer para salvar sua carreira. Sendo assim, nada melhor do que voltar ao gênero que o consagrou presenteando o público com uma nova aventura. A redenção também é almejada pelo principal personagem, o ex-detento John Link ( o próprio Gibson), tentando retomar o rumo de sua vida após alguns anos em cárcere. Longe de confusões e sóbrio, ele só quer aproveitar sua vida no deserto trabalhando como tatuador. Sua tranquilidade acaba quando reencontra a filha Lydia (Erin Moriarty), desaparecida há anos e que esconde alguns segredos referentes ao ex-namorado Jonah (Diego Luna) e a cobrança de uma dívida, fato que a torna alvo de seus comparsas.

De forma sucinta (e nada original), o pai assume todos os riscos para proteger a filha, independente de seus erros que os colocam em extremo perigo. Pai salvando filha não é nenhuma novidade no cinema de ação, basta lembrar de ‘Comando para Matar’ e ‘Duro de Matar 4.0’. A diferença é que aqui a ameaça é mais simplista, nada em escala global ou nacional. No bom e velho clichê, pai e filha enfim, começam a ter um relacionamento e alguns bons momentos para quebrar o gelo, mas trata-se de um filme de ação, e como tal, cabeças devem rolar.

Não há como negar que os melhores momentos são os que Gibson atua, de grande presença e quase irreconhecível com sua barba enorme e voz imponente, personifica bem o cara mau e cheio de cicatrizes da vida, pronto para redefinir sua trajetória da melhor maneira possível. A violência sempre é mais brutal e impactante com Gibson a conduzindo e o ator como sempre, mostra-se à vontade para nos presentear com todo o seu talento em cena. Em especial, a breve sequência das motocicletas (presente nos trailers) tem aura de nostalgia, pois é nítida a referência (até reverência, por que não??) a um certo ex-policial da era pós-apocalíptica. Na contramão, o Jonah, de Diego Luna, é insosso, fraco e incapaz de parecer ameaçador ao menos por um minuto na tela, e a impressão é a de que o bandido só cria valentia para intimidar garotas.

Infelizmente durante toda a projeção ficamos com a sensação de que não apareceu um vilão à altura, o que deixa uma grande lacuna no filme. Já Moriarty interage bem com Gibson, ora sensível e assustada, ora destemida, funciona como garota problema da trama. Cabe destacar um diálogo bem preconceituoso entre os protagonistas que com certeza desagradará boa parte da comunidade latina e será (com razão) duramente criticado. É o ponto mais baixo do roteiro e poderia ser substituído facilmente por qualquer outra fala. Óbvio que isso não compromete o resultado final, mas poderia haver um cuidado maior na edição para não deixar tal cena ser exibida.

Com o francês Jean Francois Richet na direção, ‘Herança de Sangue’ é uma espécie de faroeste moderno que tem boas doses de ação, mas não deixa de lembrar a todos de que se trata apenas de um pai tentando recuperar o tempo perdido e reestabelecer os laços com a filha, custe o que custar e doa a quem doer. Entre tiros, sangue e perseguições no deserto, o já sexagenário Mel Gibson prova que ainda tem muito fôlego para o cinema de ação.  Por sinal, o artista não deve parar. Já está em preparação como diretor do filme de guerra ‘Hacksaw Ridge’ (clique aqui e veja as fotos), com estreia prevista para 2017, e a continuação de ‘Paixão de Cristo’. Eu particularmente agradeço.

**Texto de Diego de Souza

 

herança de sangue

 

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