Crítica: ‘O Quarto de Jack’

By

 

Emma Dopnoghue tornou seu best-seller ‘Room’ um sucesso de bilheteria em meados de 2010. A grande repercussão fez a escritora emplacar o livro para o cinema, e aí veio a questão da escolha do diretor para produzir sua obra. Entre vários candidatos, o cineasta Lenny Abrahamson (‘Frank’) chamou sua atenção ao mandar uma carta de dez páginas explicando como gostaria de reproduzir a trama. Naquele momento ela disse: “Ele me entende perfeitamente”. Para o diretor, o fato de ter um filho de quatro anos, naquela época, ajudou na formação dos personagens. Conclusão, ‘O Quarto de Jack’ é vencedor do Globo de Ouro por melhor filme dramático, atriz e roteiro, e concorre ao Oscar em quatro categorias (falamos mais adiante).

O longa conta a história de Jack, um menino de cinco anos criado por sua mãe, MA, dentro de um quarto de apenas 10m². Lá ele nasceu, comeu, dormiu, brincou, aprendeu a ler, assistiu TV. A única companhia era a mãe, o que construiu uma relação de confiança e cumplicidade. Intimista, ‘O Quarto de Jack’ pode nos lembrar de casos marcantes de sequestros divulgados pela mídia, mas por ser um filme, a mensagem é mais colorida do que a vida real. Nem por isso é menos crível, pelo contrário, a sensibilidade da história e o que leva a todos os conflitos existenciais, pode fazer qualquer espectador se sentir parte daquele mundo imaginativo.

Brie Larson (‘De Repente 30’) carrega a naturalidade de uma mãe leoa para salvar sua cria. Ela retrata com firmeza uma jovem mulher esperançosa pela liberdade do pequeno. E entre doses de equilíbrio e desespero a atriz se destaca e a personagem cresce. Com apenas nove anos, o ator mirim Jacob Tremblay (premiado Critic´s Choice Awards) deixa Jack suave nesse conflitante processo de amadurecimento, principalmente na cena em que a mãe explica a vida real. Pela intocável liberdade no mundo que sobrevivem, a troca de olhares, a raiva, as frustrações, o carinho entre ambos são gestos naturais que contemplam em atuações magníficas. Vale também ressaltar a participação de Joan Allen como a mãe de MA. Mesmo com pouco destaque proposital da história, a veterana enfatiza uma mulher em acertar a medida com sua filha problemática e um neto ainda assustado com o que vivencia.

Lenny Abrahamson faz com que o espectador participe como refém daquele mundo fechado, mas que possamos compartilhar de uma história romântica e melancólica. A fotografia é escura em grande parte, colorindo aos poucos na segunda fase. Isso é proposital.

‘O Quarto de Jack’ concorre a quatro indicações ao Oscar: melhor atriz, diretor, filme e roteiro adaptado. Com estreia prevista para 18 de fevereiro, ele merece sua atenção.

SIGA O OPINIÃO CULT NAS REDES SOCIAIS:

FacebookTwitterInstagram

 

Leave a Comment

Your email address will not be published.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

You may also like