Rock in Rio: Uma jornada de paciência, emoção e resistência!

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Não basta querer assistir ao festival, exige muito mais que um espectador, o evento requer interação e dedicação integral. A trajetória inicia no terminal de ônibus Alvorada, principal ponto de ligação à Cidade do Rock. Uma nuvem negra domina as plataformas e filas de transeuntes composta por uma multidão formada por crianças, jovens e roqueiros, todos em sua maioria com o característico ar de contestação e trajados de roupas pretas.

Após uma longa fila destinada à aquisição do bilhete de transporte de ida e volta ao festival, fila essa que desenha todo o entorno do terminal, é iniciada a primeira fase de paciência e resistência. Paciência em desligar os ouvidos para as falas e sons histéricos dos mais jovens em um ônibus lotado e absurdamente quente, pois na cidade do samba, emprestada ao rock, não é necessário estarmos no verão para o calor tomar posse. Resistência justamente devido ao calor, que já demonstrava estar presente ao longo de todo o festival.

A Cidade do Rock não é diferente do restante do nosso país, habituados ao famigerado “jeitinho” brasileiro de no final dar tudo certo. Isso porque o transporte não nos conduz aos portões de acesso a grande arena do festival, mas nos deixa em uma área toda em obras, por sinal, essas já rotineiras no cotidiano carioca, acostumados com uma cidade em constantes e longas reformas.

A resistência continua ao longo da caminhada sob forte sol da tarde carioca, em um cenário que demonstra a ambiguidade característica de nosso país. De um lado vemos luxuosas construções, do outro barracos em área de desocupação.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

 

Ao longo de todo o caminho estão distribuídos estrategicamente banheiros químicos, e também não poderia faltar cambistas e camelôs, esses muito mais presentes que os poucos policiais em todo o trajeto. Por fim, chegamos a “favela” organizada, centro comercial de bebidas e lembranças desse singular evento.

Antes da sonhada e conquistada entrada aos portões do caldeirão do rock, somos submetidos a uma simples revista, que avista apenas os objetos mais óbvios, já que não é necessário grande esforço para barrar essa minuciosa “revista”.

Pronto! A longa fase inicial acabou, estamos na “Terra do Nunca”, dos preços exorbitantes, seja por um simples copo d’água, ou um “hambúrguer rock”. Aqui o público não é agressivo e intransigente como julgam os alheios a “legião”, é possível ver uma organização na compra de produtos, nas filas aos banheiros, essas de pouco tempo de espera e instalações limpas e higiênicas, fato raro para esse tipo de evento contemplado por uma multidão.

O palco mundo inicia, fogos falham, mas não conseguem dissipar o mundo underground. Sim, pela primeira vez em uma edição do evento, uma banda brasileira há tempos fora do cenário comercial abre esse que por uma hora será mais que os “60 segundos para o fim do mundo”. E assim, a banda CPM 22 demonstra a emoção de cantar e se dedicar integralmente à uma plateia que corresponde da mesma maneira em um forte coro vários momentos do show, levando “Um Minuto Para o Fim do Mundo” como o ponto alto do show. Somente essa canção  que rebate qualquer dúvida da entrega da plateia aquela apresentação, que em uma noite de peso lota o palco mundo.

Após o bate-cabeça promovido por Badauí (vocalista da banda CPM 22), a roqueira Hollywood Vampires é aguardada com louvor, devido ao  ilustre guitarrista Johnny Depp que causou alvoroço ao longo de toda a apresentação, mas esperem! Os zombies do rock não são feitos apenas de imagem, e sim, esses ainda demonstram uma excelente qualidade técnica e dominam a plateia com extrema facilidade, seja no singular e macabro visual de Alice Cooper ainda com exímio controle de sua voz, ou nos riffs e solos de guitarra e bateria, desse covil de músicos ex-integrantes de algumas das principais bandas do rock mundial.

Cai a temperatura na Cidade do Rock, muito mais em virtude da morna banda Queens of Stone Age, um show morno, zero interação com o público, que se contenta em dançar e acompanhar os refrãos das músicas mais conhecidas, enquanto anseiam à presença principal da noite.

Não é preciso muito, já nos primeiros acordes e levadas a banda System Of a Down causa uma ensurdecedora erupção, aquecendo a plateia ao longo de 27 músicas que recebem toda a força daquela legião negra, e o cansaço? Esse parece não existir, pois o que se vê, escuta e sente, é um público totalmente entrosado.

E assim termina a longa jornada da Cidade do Rock, repleta de fases cheias de testes e dificuldades, mas de total emoção, entrega e recompensas! Opsss, esperem, isso não é tudo pessoal! Isso porque os mesmos obstáculos encontrados na ida, também estão presentes na volta, com uma ressalva, agora com o peso de horas de cansaço, embora isso seja nada, um mero detalhe em um dia e noite para não se esquecer.

Por Dênis Santos, 

25 anos

 

Gostou do texto do Dênis Santos? Deixe seu comentário. E se você quiser falar sobre sua experiência no Rock in Rio, mande seu texto para rafaelmunhos@opiniaocult.com.br . Ele pode ser divulgado aqui no Opinião Cult.

 

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